Lá estavam eles. Todos sentados em volta da mesa esperando a REGÊNCIA chegar para que pudessem começar a reunião. Alheio ao alvoroço, lá estava a METONÍMIA bebendo um porto e fumando um cubano, enquanto foleava um Machado de Assis. Foi então que o SOLECISMO lhe disse: "eu adoro fumar esses charuto, principalmente quando nós toma um vinhos bom como o que ti tá tomando." A PARÁFRASE se interessa pelo assunto e dispara: "como Tom Jobim já dizia ao citar Chico Buarque, dinheiro é bom para adquirir uísque, charuto, além de pagar o aluguel." E completou: "como dizia Vitor Hugo, o tabaco é uma planta que faz os pensamentos se transformarem em sonhos." A METÁFORA, que escutava calada, levantou-se, foi até a janela e, ao suspirar, sentenciou: "no outono da vida uma raposa velha como eu pode ter poucos prazeres. Um deles é lambuzar a mente com o sabor aveludado de um charuto cubano". SINONÍMIA balançava a cabeça em aprovação e murmurava "sim, o sabor aveludado, macio, veludoso". Foi então que o ADJETIVO comentou com o SUBSTANTIVO que estava ao seu lado: "que mulher notável a metáfora! Capaz de inundar meu coração deserto com suas palavras coloridas, fazendo-me novamente um homem feliz".
Coisas que aprendi com a minha mãe
24 janeiro 2011
Essa semana celebro o nascimento de minha mãe para Cristo. Gosto de entender assim a morte dela. Minha mãe foi uma pessoa interessante. Entendia mais de ajudar os outros do que a si mesma. Entregava-se ao outro e, por vezes, esquecia de recolher pra si alguma migalha do que vinha dele. Não creio que minha mãe errou quando foi assim, pois acredito que ela foi feliz quando pode dar ao outro algum conforto, um ombro pra chorar, uma palavra de carinho. Talvez eu não tenha entendido bem isso tudo enquanto estávamos juntos, mas hoje tenho certeza que entendo bem melhor e sou grato por esses ensinamentos.
Aprendi com minha mãe a preterir o ódio e acolher o amor. Esse dias li em um livro uma referência a Mandela que diz: "ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." Hoje sei que minha mãe fez muita força para me ensinar o amor e não o ódio. Como diz um amigo em uma canção "minha mãe me disse umas coisas sobre os ódios do meu peito. Disse que o ódio que se guarda vai matando só quem sente". Vejo minha mãe dizendo a frase da música. Acredito que ela pouco (ou nunca) realmente odiou alguém na vida, mesmo que alguns até "merecessem". Alimentar o ódio é ir matando aos poucos a alma. Morremos aos poucos quando negamos ao outro o que esperamos pra nós mesmos.
Hoje, como pai, vejo que entendo certas coisas que pretendo ensinar à Mariana, como coisas aprendidas por mim através da minha mãe. Aprendi com ela sobre limites. Aprendi que o limite faz parte do amor. Aprendi que educar é também dizer não. Há uma onda de dar tudo em excesso às crianças. Dar, dar e dar, o que, de outro lado, ensina às crianças que o importante é ter, ter e ter. As pessoas estão dando tanto que nem dão tempo da crinça desejar, já vão logo dando. É com o limite dado pelos pais que as crianças se deparam pela primeira vez com a perda, com a derrota, e não há lugar melhor que um colo de mãe ou de pai para embalar nossas derrotas. É necessário que tenhamos espaços em nossas casa para falarmos das nossas perdas, nossas derrotas. Necessitamos de pais que nos escutem primeiro para depois então indicar novos rumos.
Aprendi com minha mãe que não sou melhor nem pior que ninguém. Creio que foi um ensinamento saudável, já que vivemos em uma sociedade que nos cobra o topo o tempo todo, uma sociedade que quer ter, ter e ter a qualquer custo, valendo tudo para subir ao degrau mais alto do pódio. Não raras vezes esquecemos o valor da cooperação (valor esse muito bem retratado no desenho Carros, que a Mariana adora e eu também). Por que afinal um pai deve querer que seu filho seja melhor em tudo? É nesse ambiente que surgem inclusive as mentiras, já que o filho se vê na situação de precisar permanecer sempre no topo para não decepcionar seus pais. Então aplaudimos o filho vencedor e o exibimos aos outros, como se fosse um troféu. Assim, o filho não aprende a dividir, a cooperar, a amar. Assim, vamos aos poucos fomentando o ódio. É possível construir uma vida vitoriosa sem pisar nos outros. Li uma frase bonita dita pelo Gabriel Chalita e que divido com vocês: "é na divisão da refeição que se ensina a deixar ao outro uma parte daquilo que me daria prazer." É disso que eu falo, é esse o valor da cooperação que aprendi com minha mãe.
Apredi muito com a minha mãe e com meu pai também, é preciso ser dito. Porém, hoje quero celebrar as lembranças boas que tenho dela, os momentos felizes que vivemos juntos e as imagens de amor que inundam minha mente sempre que me lembro dela. Tenho saudade sim, graças a Deus, pois é essa saudade que me faz sempre lembrar de tudo de bom que vivi e que aprendi com ela.
por Felipe Colvara às 18:03 4 Comente aqui
Tragédia no Rio
14 janeiro 2011
Eu estava aqui no meu quarto, estudando para um concurso e, por isso, um pouco fora do mundo, sem saber dos acontecimentos na região serrana do Rio de Janeiro. Pois bem, ontem resolvi parar para jantar e ligar a televisão no Jornal Nacional. Não fiz mais nada além de chorar. Hoje, novamente esperei a hora do JN para jantar e saber mais notícias. Eis que novamente mal pude engolir a comida, pois a minha vontade era de apenas chorar ao escutar as histórias daquelas criaturas que, segundo a edição do jornal, "estavam salvas".
Particularmente fiquei tocado com a história de um homem, que, dia-após-dia, faz o caminho de volta para onde ficava a sua casa, sozinho e em silêncio, na busca do corpo de sua filha morta. Fiquei imaginando que tipo de coisa passa na cabeça de um pai que todo o dia percorre o caminho do terrível encontro com o lugar devastado pela destruição e responsável pela morte de sua filha. Dia a dia este homem percorre a sua Via Crucis, do Pretório ao Calvário, subindo o monte da tristeza, carregando a cruz da perda do fruto e, quem sabe, na tentativa desesperada de compreender por qual motivo um pai é obrigado a vivenciar a morte da filha, o que no caso dele é ainda mais desesperador, já que nem mesmo tem a chance de poder enterra-la.
Nem sei mais o que eu ia escrever. Não sei mais o que escrever. Só o que posso fazer hoje é orar e chorar.
por Felipe Colvara às 21:44 0 Comente aqui
“A gente não pode ter tudo na vida”
10 janeiro 2011
É com essa frase que termina o filme “de pernas pro ar”, que eu e a Clarissa assistimos nessa semana. Aparentemente, um filme sem maiores consequências. Mais uma comédia brasileira. Um filme que até recomendo, divertido, bem feito, como uma história interessante. De qualquer forma, a ideia desse post não é comentar o filme, mas debater o que o contexto do filme, resumido nessa frase que trago como título, discute, ou, se não discute, pelo menos gera em mim essa reflexão.
De fato, nossa vida praticamente se resume a escolhas. Estamos a todo instante encarando encruzilhadas, decidindo caminhos, optando, escolhendo e, consequentemente, renunciando, desistindo de caminhos, abdicando de sonhos.
Muitas vezes me deparo com situações em que estou dizendo essa frase para a Mariana. O canal de TV que ela assiste – Discovery Kids – é recheado de propagandas de brinquedos, momento em que, sem titubear, a Mariana aponta o seu dedo para a tela e diz: “eu quero esse”. Vejam que, por vezes, a Mariana nem mesmo sabe de que brinquedo se trata, apenas “quer” todos eles. Eu, muitas vezes, olho pra ela e digo: “filha, a gente não pode ter tudo o que quer”.
Pois bem, realmente hoje vejo que, de fato, é importante passar para a Mariana essa mensagem. Ela precisa entender que na vida fazemos escolhas, conquistamos coisas, mas as vezes o conquistar de algo pressupõe a renúncia de outras tantas e, o mais importante, que isso não necessariamente é algo ruim, frustrante. Por vezes, perder, renunciar, abrir mão é algo importante, bom e até necessário.
A nossa vida de adultos também é assim. Decido tomar caminhos e é preciso trilha-los sem olhar pra trás e pensar como seria se tomasse o caminho oposto. É claro que posso corrigir o curso da vida, mas não posso viver a escolha que faço sofrendo e pensando que poderia ser melhor se tivesse seguido por outro caminho. Mais, preciso entender que realmente “a gente não pode ter tudo na vida”. Como nos traz aquela conhecida passagem da Bíblia, não posso servir a dois senhores. Quer dizer, não é possível imaginar que posso pregar o amor, pregar a paz e ao mesmo tempo alimentar o ódio por aquele que me fez mal ou assistir inerte a violência como é o racismo, a homofobia, etc.
Portanto, é preciso escolher os caminhos e vive-los em plenitude, aceitando as renúncias, compreendendo as perdas, mas recolhendo as vitórias que a escolha traz e celebrando os momentos cotidianos, que são, afinal, a possibilidade que nossa humanidade nos proporciona de construir felicidade.
por Felipe Colvara às 18:43 1 Comente aqui
Meu Cartão de Natal
08 dezembro 2010
Mais um ano vai chegando ao fim, e como sempre, paramos para recolher as conquistas, as derrotas, e assim tentar encontrar novas soluções e novas formas de fazer no ano que virá.
Esse ano aprendi muitas coisas, talvez alguns aprendizados eu tenha perdido pelo caminho, não sei, mas o que importa é que me permiti vivenciar coisas novas e me permiti aprender sobre coisas novas, ainda que os assuntos talvez fossem os mesmos.
Tenho aprendido com a minha experiência de pai, que cada vez que imagino dominar as respostas, as perguntas já são outras, e por mais que eu me esforce para tentar antever um passo, a sensação e a textura do solo em que piso invariavelmente me surpreende.
Aprendi muitas coisas sobre o amor, sobre a minha amada, sobre Deus. Aprendi que o amor é feito de demoras. O amor, diferente da paixão, se consolida no tempo, se fortalece nos defeitos e não nas virtudes e que o amor é um ato volitivo, consciente. A paixão é diferente. A paixão sufoca, é egocêntrica, é efêmera.
A paixão não avisa, simplesmente chega. Toma conta de tudo, dos pensamentos, dos nossos afazeres. Deixamos de procurar os amigos, temos problemas no trabalho, no estudo. O mundo fica voltado para o objeto da paixão. Não enxergamos mais nada, não encontramos defeitos no amado, tudo é lindo, tudo é maravilhoso. Concluímos que, enfim, estamos plenos, estamos felizes porque encontramos tudo aquilo do que precisávamos.
Porém, o amor romântico (paixão) das novelas não permanece, tem prazo de validade. Em algum momento precisamos voltar para o mundo real. Então, se não tomamos o decisão do amor, já era. Tudo se vai. O que era maravilhoso, se torna insuportável: o sapato no meio da sala, a toalha molhada na cama, o interminável passeio pelo shopping em busca do sapato perfeito, a demora para se arrumar na hora de sair. O amor romântico das novelas não é possível para humanos verdadeiros, que erram, que magoam, que decepcionam. A verdade é essa: em algum momento o seu amante/amado vai decepcionar você. Pode ter certeza disso. Não é por maldade, é por condição de seres humanos falíveis.
Já o amor, esse sim é feito de demoras. O amor verdadeiro não tem relação direta com as virtudes do amado. O amor verdadeiro é aquele que decide amar os defeitos do amado. É aquele que, mesmo diante de tudo de ruim que alguém possa ter, consegue enxergar aquilo que é bom e que por vezes fica bem escondidinho.
O amor é decisão, é atitude de querer amar. Como diz a música: “amor verdadeiro é querer amar”. Ao contrário do que se diz por aí, amor se escolhe sim. Eu escolho, eu decido querer amar. Eu decido dar valor àquilo que é bom. Eu decido amar o defeito do amado.
Não busco amar pessoas perfeitas. Perdoem-me se acreditam nisso, mas preciso dizer que elas não existem. E, se você ainda busca a pessoa perfeita, lamento, mas não encontrarás. Porém, se você acha que já encontrou a pessoa perfeita, ou você ainda não pulou a fase da paixão, ou você já aprendeu a amar os defeitos do seu amado e por isso não se incomoda com eles.
Não busco amar pessoas perfeitas. Perdoem-me se acreditam nisso, mas preciso dizer que elas não existem. E, se você ainda busca a pessoa perfeita, lamento, mas não encontrarás. Porém, se você acha que já encontrou a pessoa perfeita, ou você ainda não pulou a fase da paixão, ou você já aprendeu a amar os defeitos do seu amado e por isso não se incomoda com eles.
Deus faz isso. Deus decidiu nos amar. Ele conhece nossos defeitos, nossos erros, mas Ele decide nos amar mesmo assim. Mesmo que viremos as costas a Ele. Ainda assim Ele está lá, nos amando com a mesma intensidade, nos esperando com o mesmo sorriso e com os braços abertos, prontos para nos abraçar longamente.
Nesse natal eu desejo amar dessa forma, desejo aprender a querer amar. Desejo aprender a amar assim como sou amado por Deus. Agradeço a Ele, pois tenho certeza que sou muito amado.
Nesse natal, desejo que todos acolham o menino Jesus na manjedoura de cada coração. Como me disse a Mariana, quando brincávamos com o presépio lá de casa: “pai, Jesus mora no nosso coração, né?”. Que Cristo possa nascer nos nossos corações e que possamos permitir que Ele more em nossos corações, assim como a Mariana acredita. Que o Natal não seja do Papai Noel, mas que seja de Jesus Cristo. Que o natal não seja dos presentes, mas seja das famílias. Que o natal não seja do egoísmo, mas seja do amor.
Feliz Natal e um 2011 cheio de amor e bênçãos.
por Felipe Colvara às 15:43 2 Comente aqui
Advento - O que espero?
30 novembro 2010
Amigos
Os cristão estão vivento o tempo do Advento. Não sou um profundo conhecedor do tema, longe disso (portanto, me corrijam se falar besteira), mas sei que o advento marca o início do Ano Litúrgico para a igreja católica.
Advento, significa vinda, chegada. É essa expectativa da chegada de Cristo que celebramos nesse tempo. Percebam que não se trata de um Cristo que "veio" e nem um Cristo que "virá", mas um Cristo que "vem", no presente, todo dia. Deus é atual, é presente, Ele vem, Ele chega. Essa vinda é contínua, está ocorrendo agora. Deus quer vir nos encontrar e viver no meio de nós e quer permanecer em nós.
Se Deus vem, se Deus quer vir e me encontrar, eu pergunto: o que espero? Afinal, o que desejo, o que espero? O tempo de advento sem dúvida é um tempo de conversão, um tempo de buscar o encontro com esse Deus que vem até nós, que nos ama e que não desiste de cada um de nós. O advento é o tempo de penguntar, afinal, o que espero, de renunciar os caminhos que me desviam durante a jornada, que me tiram o foco do que realmente espero, que é Deus, que é um mundo de paz, um mundo de amor, de fraternidade, de justiça.
Para terminar deixo as palavras do Papa Bento XVI no último domingo, quando pedia aos fiés que aprendessem com Maria a viver os gestos cotidianos com um espírito novo, com o sentimento de uma expectativa profunda, que somente a vinda do Senhor pode preencher.
E você, o que espera?
por Felipe Colvara às 17:28 0 Comente aqui
I Acamps Casais de Porto Alegre
16 novembro 2010
Amigos,
Neste feriado eu e a Clarissa resolvemos nos permitir um (re)encontro com cada um e de nós dois com o nosso casamento. Foi isso que pra nós dois significou o acampamento: REENCONTRO. Foram vários os nossos reencontros, desde o pisar novamente na Fazenda Chaleira Preta, rever os amigos envolvidos com a obra, mas, o mais importante, tivemos a oportunidade de nos reencontrarmos com nossas próprias vidas individualmente e com nossa vida como casal. Tivemos a chance de nos confrontar com a nossa vida como casal, a nossa história de vida como casal.
De fato, foi um verdadeiro reencontro de fé, de amor conjugal, de significações, de objetivos. Aprendemos muito através do exemplo de outros casais que também estavam ali se permitindo entender, se permitindo partilhar, se permitindo viver cada etapa, cada momento.
Foram três dias de muitos "REs": reencontros; redescobertas, reavaliações; replanejamentos; retomadas; reversões; reafirmações. Aprendemos muito com a experiência de outros casais, mas, principalmente, aprendemos muito com a nossa própria experiência. Creio que aprendemos que as nossas vivências já não fazem mais sentido de ser analisadas apenas individualmente, apenas sob o ponto de vista meu ou dela. As nossas experiências e suas significações, seus efeitos na nossa vida e daqueles que nos cercam, só têm valor, só são de fato verdadeiras se forem soma, se forem unidade, se forem compartilhadas. Nossas vidas, nossos anseios, nossos objetivos e nossas realizações devem acontecer em uníssono. Na nossa vida de casal não há mais espaço para obejtivos antagônicos, realizações divergentes, caminhos paralelos ou opostos. O caminho a ser trilhado deve ser um só e devemos caminhar por ele de mãos dadas e com os olhos sempre voltados para Deus. Essa sem dúvida é a nossa receita da felicidade.
Gostaríamos de, através deste "post", agradecer a essas pessoas iluminadas, determinadas, desprendidas, amorosas, que fazem parte da equipe do acamps, que também deixaram suas famílias para estarem junto de nós, para viver conosco todas essas alegrias. Obrigado pelo carinho, pelo cuidado e pelo amor a nós oferecido.
P.S.: Hoje não assinarei sozinho. Hoje assino o "post" junto com o meu amor, com essa pessoa maravilhosa que vive a tanto tempo do meu lado (palavras de afirmação... hehehe).
Zuzu e Cla
por Felipe Colvara às 12:43 6 Comente aqui
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