As estrelas e o Menino Jesus

23 dezembro 2011


Hoje recebi um e-mail em que essa pessoa diziam que parou para olhar o céu, contemplar as estrelas e relacionou isso ao Nascimento de Cristo. Isso me fez pensar sobre a semelhança das estrelas e a vida de Cristo. Tá certo, parece estranho eu tentar fazer esse tipo de relação, mas acompanhem o meu raciocínio.

Quando olhamos para o céu, a noite, enxergamos estrelas brilhando. De vários tamanhos, de intensidades variadas. O que afinal vemos? Não sou um especialista em astronomia, mas sei que a estrela mais próxima de nós está de fato há uma distância que não sou capaz nem mesmo de mensurar. É muito longe. A luz que esta estrela irradia, viaja pelo universo durante centenas e até milhares de anos, para que possamos contemplá-la. Se isso é verdade, provavelmente algumas dessa estrelas que enxergamos no céu, nesse momento são estrelas já mortas, mas que, por essas coisas incríveis da natureza, continuam irradiando luz através de milhares de anos pelo universo.

Fiquei pensando que esta é uma figura que me remete à Deus, ao nascimento do menino Jesus, o qual celebramos sempre na noite de Natal. Não é exatamente isso que acontece? Jesus morreu na cruz por nós, há mais de dois mil anos, mas continua irradiando luz sobre a terra, continua presente no céu de nossos corações, continua enfeitando nossa vida de alegria. E mesmo antes de nascermos, Deus já gestava essa luz para que pudéssemos contemplá-la milhares de anos após sua morte, exatamente como acontece com as estrelas que precisaram morrer há milhares de anos para que pudéssemos contemplar hoje o seu brilho.

Quando estamos na escuridão, se olharmos bem, seremos capazes de enxergar a luz que irradia do coração de Deus, assim como somos capazes de perceber a estrela brilhando no céu escuro.

Na noite de Natal, se puderem, permitam-se contemplar o brilho das estrelas e lembrar que Jesus, assim como elas, continua irradiando sua luz no coração da humanidade.

Feliz Natal.

Para uma menina chamada Amor

20 dezembro 2011



Menina de nossos sonhos
Se nome ainda não tens
De Amor te chamarei

Afinal, Amor é o que tens mais
Amor dos teus pais

Mas não esqueça do Amor que vem vindo
Reconheça: é o amor do teu Dindo

Pra minha pequena nova afilhada

As aparências enganam!

14 dezembro 2011


   Ontem aconteceu algo bem interessante comigo e que gostaria de partilhar com vocês. Eu estava no Foro Central, em Porto Alegre, tirando cópias de um processo. A menina que trabalha na máquina de xerox tinha os cabelos bem curtos, meio avermelhados, um piercing no nariz, se não me engano. Era aquele tipo de menina que poderíamos descrever como diferente do "normal", ou pelo menos diferente daquilo que eu tenho registrado como "normal". Só isso já desperta uma infinidade de pensamentos  e preconceitos que carregamos desde de nossa tenra infância, o que no meu caso não é diferente de ninguém. É a tal da "primeira impressão" que eu já tratei aqui no blog em outro momento. Aquela fração de segundo em que apenas baseado na "estampa" (termo usado no Rio Grande do Sul para determinar a figura, a imagem da pessoa), somos capazes de trazer à tona todo o tipo de preconceito que carregamos.
   Pois bem, no momento em que estava tirando o xerox, ouvimos uma música natalina que nos parecia cantada por um coral. A menina logo procurou saber de onde vinha, mas não deixou de fazer o seu trabalho. Peguei as minhas cópias e saí do cartório. Foi quando me deparei com o tal coral, cantando músicas natalinas pelos corredores do Foro. Era um grupo composto basicamente por pessoas bem idosas, mas felizes por estar trazendo aquela mensagem para todos que ali estavam. O coral era da AJURIS e, pelos comentários que colhi por ali, era capitaneado por um desembargador aposentado. Todos estavam radiantes de estar ali cantando. Cantaram algumas músicas e saíram em direção a outro andar do prédio. Foi então que me encaminhei para a saída. Quando olhei para a porta do cartório, estava lá, aquela menina - que me parecia "rebelde" - chorando copiosamente, emocionada com aquele gesto, que fazia pessoas idosas passar uma tarde cantando e tentando alegrar um pouco aquele ambiente sempre tão estressante.
   Saí de lá pensando nisso, no quanto somos capazes de rotular as pessoas sem nem mesmo conhecê-las, sem conhecer a forma com que reage ao mundo e seus estímulos. Fazemos esses juízos precários cotidianamente, sem piedade, com a dureza característica do instante, estanque, descontextualizado.
   As pessoas não podem ser carimbadas pela "primeira impressão", precisamos verdadeiramente nos livrar disso. O que importa, não é a cor do cabelo, um belo sorriso estampado no rosto (mesmo que não verdadeiro), uma roupa de grife. O que importa verdadeiramente é a abertura do coração; o quão aberto está para receber o novo, o diferente; o quão aberto está para receber um gesto, um sorriso, uma canção; o quão aberto esse coração está para dar e receber amor. Não importa o tamanho do cabelo, a quantidade de brincos que tem na orelha ou o tipo de roupa que veste, isso é perfumaria, isso é periférico. A essência - essa sim fundamental - é a forma como me entrego para o outro, a forma como sou capaz (como fez a menina da história) de me emocionar com um simples gesto de carinho.
   Deus nascerá nesse Natal nos corações abertos ao seu chamado. Ele bate à porta de todos, mas Ele respeita, Ele espera, Ele perdoa. Ele não impõe, Ele não sufoca. Viver o Natal não é nada além de estar de coração aberto para que Jesus possa nascer no coração de cada um e que este nascimento seja também fonte de amor na vida de cada um que o recebe e na vida daqueles que os cercam. Esse é verdadeiro sentido do Natal. Esse é o verdadeiro sentido do amor.

Meu (longo) cartão (pessoal) de Natal

08 dezembro 2011


Amigos, mais um ano que vai chegando ao seu fim. A proximidade do Natal sempre me põe a pensar sobre muita coisa. O aniversário de Cristo é pra mim como um estopim, que me faz reagir a todos os estímulos, sensações, sentimentos que fizeram parte do meu cotidiano, durante todo o ano que se passou. Costumo parar para pensar sobre as coisas que me afetaram durante o ano, tentar entendê-las, organizá-las em relação às minhas crenças e a forma pela qual eu encaro a minha vida. Creio sinceramente que esta é uma forma bastante eficaz de me colocar diante da vida e tentar colher dela tudo aquilo que talvez ainda esteja esparramado, deixado de lado, mas que se percebido com maior atenção, mostra-se fundamental no meu processo humano. Quem sabe isso não possa ser uma proposta interessante para esse final de ano? Quem sabe isso também possa ser importante na tua vida? Não sei, tente e veja no que vai dar.

Quem acompanha o meu blog talvez entenda um pouco essa minha inquietação em enteder as coisas que sinto. Esse ano foram muitas coisas vividas e tantos outros ensinamentos percebidos. Lembro que em um dado momento eu falava sobre sucesso. O que realmente significa sucesso. Hoje, ao refletir sobre o que passou no ano, inevitavelmente preciso me fazer essa pergunta. Fui um cara de sucesso? Como dizia naquele momento, creio que sim, pois o sucesso não está relacionado com o que tenho, com o quanto de dinheiro fui capaz de acumular, com a quantidade de tapinhas nas custas eu fui presenteado. O meu sucesso é a quantidade do que sou e não do que tenho. É a alegria no rosto da minha filha. É o olhar da minha esposa. É o abraço de meus amigos. O meu sucesso está intrinsecamente relacionado com o amor que sou capaz de oferecer e receber.

Esse ano aprendi muitas coisas com a minha filha. Aprendi com ela a enxergar além do feio e do bonito, aprendi com ela a enxergar a essência, a não ter medo do que me parece diferente, a ultrapassar a barreira da “pirmeira impressão”, pois, diferente do que sempre dizemos, creio que a primeira impressão não é a que fica, mas é a que desvela nossos preconceitos, é a que traz a tona tudo aquilo que aprendemos a diagnosticar entre bonito e feio. Por isso, creio que preciso fazer força para ultrapassar a primeira impressão e dispensar o juízo do feio e do belo para que, de fato, entenda a beleza da essência e da humanidade dos que me cercam. Aprendi a amar sem prestar atenção no que é periférico.

Esse ano conheci mais de perto pessoas diferentes. Diferentes de mim, de “mundos” diferentes dos quais eu costumava viver. Pessoas que compreendem a vida, a fé, o amor, a amizade, Deus, de outra forma que não necessariamente a mesma compreensão que tenho. Descobri que isso me fez aprender mais sobre mim, me fez crescer no entendimento de quem sou, de como sou e como percebo o mundo a minha volta. Através deles, fui capaz de compreender melhor minhas posições, solidificar minhas crenças, crescer na minha fé, me aproximar de Deus. Aprendi que há um verbo que tem muitos nomes, mas um só significado. O verbo AMAR. Uns o chamam de Deus, outros preferem nomea-lo de outras formas. Porém, o que importa de verdade é a vontade de viver esse verbo e de disseminar seu ensinamento para toda a humanidade. Agradeço a Deus por me mostrar isso.

Aprendi que estou ao lado de uma mulher de garra, de coragem e de capacidade, que talvez ainda não tenha plena consciência do que é capaz, mas que tenho confiança que um dia olhará para trás e verá o tamanho da importância que tem na minha vida e na vida de tanta gente que a cerca (e ela costuma andar sempre cercada de muitos), que a ama e que a admira.

Aprendi que ser pai é um processo diferente de qualquer outro, pois o seu desenrolar não depende apenas de mim e que o processo se desenvolve através de uma lente que não é a minha, que o mundo é percebido não pelos meus olhos e ouvidos e que isso tudo é a experiência mais bonita que um ser humano pode viver: a de acompanhar o desabrochar da flor, conhecendo cada passo, mas sendo surpreendido com a beleza do fruto, que, mesmo que diferente do imaginado, é ainda mais belo do que o desejado.

Que neste Natal estejamos prontos para deixar Jesus nascer em nossos corações.

Advento

30 novembro 2011


   O Advento marca o início do Ano Litúrgico para a igreja católica. Advento significa chegada. É a expectativa da chegada de Cristo que celebramos nesse tempo.
   No Evangelho desse domingo Jesus faz um apelo: vigiai! (Mc 13,37). No Angelus do dia 27/11/2011, o Papa Bento XVI, comentando essa palavra disse: é um apelo salutar a recordar-nos que a vida não tem somente a dimensão terrena, mas é projetada rumo a um "além", como uma muda que brota da terra e abre-se para o céu. Uma muda pensante, o homem, dotada de liberdade e responsabilidade, pelo que cada um de nós será chamado a dar conta de como viveu, de como utilizou as próprias capacidades: se as reteve para si ou as fez desfrutar para o bem dos irmãos.
   Notem que o apelo a que se refere o Papa é uma advertência muito importante e que devemos refletir com profundidade. Vigiai! Somos livres e responsáveis pelo o que fazemos de nossas vidas, porém, importante que utilizemos esses dons para o bem de todos. Mais do que isso, é preciso que fiquemos atentos, vigilantes, para que as nossas obras sejam de fato na construção do amor, na construção do bem de todos e não apenas na satisfação de nossas vaidades. Vigiar para que a nossa vaidade seja abafada e que nossos atos sejam verdadeiramente na construção do reino de Deus, esse reino que está prestes a receber seu rei, Jesus Cristo. Nós somos responsáveis por abrir o caminho para que Deus reine nos corações de todos, que o amor reine soberano no coração da humanidade. Por esse motivo, o tempo do Advento é também um tempo de conversão, pois precisamos começar a preparar o caminho dentro do nosso próprio coração, rejeitando tudo aquilo que nos afasta do amor, que nos afasta de Deus.
   O tempo do Advento é um tempo de esperança, porque Cristo é a nossa esperança e Ele está chegando para viver no meio de nós, para ser o senhor de nossas vidas. Não um senhor que nos aprisiona ou que nos impõe sua vontade, que nos mete medo e nos faz submisso através dele, mas um senhor que promove aquilo que há de melhor em cada um, que nos faz caminhar ao seu lado irradiando esse amor para os que nos cercam, que nos acolhe com um gesto ou uma palavra. Um senhor que na verdade é Pai, é amigo. Nas palavras do Papa: O Tempo do Advento vem a cada ano recordar-nos isso, para que a nossa vida reencontre a sua justa orientação, em direção ao rosto de Deus. O rosto não de um "patrão", mas de um Pai e de um Amigo.
   Que a espera dessa chegada seja vivida com alegria e que permaneçamos vigilantes à espera de Cristo.

Escolhas

21 novembro 2011



Na semana que passou fui apresentado a um site muito interessante que recomendo a todos (http://www.ted.com/). Eles usam o slogan Ideas Worth Spreading, que pode ser taduzido como: vale a pena espalhar ideias. Pois bem, um desses vídeos que se encontram nesse site, traz uma reflexão muito interessante. O palestrante, Damon Horowitz, provoca os espectadores a fazer várias escolhas levantando as mãos, como por exemplo,  iPhone x Android. Todos tinham opinião formada. Porém, na última pergunta, tratando de um caso específico, queria saber se deveríamos utilizar uma estrutura moral deontológica Kantiana ou deveríamos utilizar a ética consequencialista de Stuart Mill. Como podem prever, poucos tiveram a coragem de votar. Então, definiu aquilo como algo terrível, pois verificou que temos mais opiniões sobre nossos dispositivos portáteis do que a respeito da estrutura moral que deveríamos usar para tomar nossas decisões, e então deixou o questionamento que me fez pensar muito: como sabemos o que fazer com o poder que temos se não temos uma estrutura moral definida?

De certa forma, nunca refletimos sobre como fazemos para definir o que é certo e o que é errado. Tomamos decisões em nossas vidas sem pensar nessas questões. Por vezes até fazemos esse juízo ético, mas sem tomar consciência de como fazemos. Por vezes, não fazemos qualquer juízo, o que pode gerar grandes problemas. Infelizmente (ou felizmente) a definição do certo e do errado não está em uma fórmula imutável, apesar de que Platão até pudesse imaginar que a encontraria. Portanto, só nos resta pensar sobre nossas ações, para que estas tenham verdadeiramente o sentido de bem ou de mal que buscamos. Como disse Hannah Arendt (bem lembrado pelo palestrante): a triste verdade é que a maioria do mal feito nesse mundo não é feito por pessoas que escolheram serem más. Isso emerge do não pensar.

O palestrante traz a reflexão sobre duas formas de pensar eticamente. Mill e o utilitarismo, que traz a ideia do bem-estar, ou seja, o agir deve estar diretamente ligado àquilo que trará o máximo de bem-estar. O agir se baseia nas suas consequências. Peso as consequências e escolho o caminho do agir conforme possa trazer mais benefícios a todos que o outro caminho traria. Importante aqui é que o maior benefício deve ser para todos e não apenas para o indivíduo, o que seria apenas egoísmo. Então, quanto maior o benefício, melhor a decisão. Esse é um argumento ético que me parece típico daquele que defende a guerra, por exemplo, pois sempre tenta imaginar que, mesmo gerando algumas mortes, a salvaguarda da maioria dos cidadãos é um benefício maior. Porém, aquele que faz a guerra sem esse paradigma é capaz de atrocidades inimagináveis.

Kant, por sua vez, com seu "imperativo categórico", que é imperativo por ser um dever moral e categórico por atingir a todos, advoga que o agir deve ser sempre baseado naqueles princípios que você gostaria de ver aplicados universalmente. Seria algo como "faça aos outros o que gostaria que fizessem a você", porém, ainda mais ampliado: "faça aos outros o que gostaria que todos fizessem para todos". Aqui, na minha opinião, está o fundamento que me afasta do racismo, da homofobia, etc.

Portanto, o julgamento moral e ético deve ser feito quando do nosso agir/decidir. É necessário que o façamos, para não corrermos o risco do alerta de Arendt. Você alguma vez já pensou nisso? Se sim, ótimo; se não, estamos no mesmo barco. A questão agora é pensar!

Campo Florido

07 novembro 2011


Para o Acamps Casais

Vidas misturadas
Corações expostos
Amor e sofrimento

O cheiro do mato
O calor do abraço
O sabor da lágrima

Teia de emoções
Avalanche de sentido
Barro moldado a dois

Histórias de um campo florido