09 fevereiro 2010


Vida débil
Vida que se vive de segunda a sexta
Vida distorcida
Mal vivida
Pouco pra mim

Queria a vida dos domingos
Vida de alpendres
De olhares gentis
Vida atrevida
Vida até vida

E tem gente que gosta do calor!!!

04 fevereiro 2010


Os últimos dias tem sido muito complicados para quem mora aqui no "paralelo 30", também conhecido como Porto Alegre. Aliás, depois desses dias poderíamos rebatiza-la de Forno Alegre. A onda de calor, creio eu, jamais vista por aqui. Pelo menos com tantos dias seguidos de temperaturas próximas aos 40ºC. Dizem que desde 1958 não há um começo de fevereiro tão quente. Mas será que se fala do pico de temperatura ou da média de temperatura desses dias?

Um dos sites mais visitados no mundo quando o assunto é tempo - http://www.accuweather.com/ - no dia de ontem, 03/02/2010, indicava Porto Alegre como a cidade mais quente do planeta. Ou seja, em nenhum pedacinho de chão em todo o planeta terra, no dia de ontem, sentiu-se mais calor do que aqui. A máxima foi de 39ºC com sensação térmica de 44ºC. É duro não? Na verdade eu diria que não. Duro mesmo será se for confirmado o que o mesmo site prevê para o sábado (06/02/2010). Lá está escrito que a sensação térmica prevista para o sábado em Porto Alegre deverá ser de 51ºC. Sabem o que é isso? Eu não.

Fico pensando. E aquelas pessoas que não tem condições de ter um ar-condicionado? E aquelas que não podem nem mesmo ter um ventilador? E aquelas que nem mesmo luz elétrica tem? Como ficam as pessoas que estão nos presídios superlotados? Aqueles que trabalham em locais como o Mercado Público, por exemplo, que não conta com refrigeração? O gari que passa o dia no "olho do sol" limpando as porcarias que não tivemos a educação de colocar no local onde deveríamos, no lixo?

De outro lado vemos a situação de São Paulo, por exemplo. Já são mais de 40 dias de chuvas, alagamentos, deslizamentos de terras, mortes, vidas perdidas, famílias destroçadas, sonhos aniquilados que passam por nós despercebidos em forma de estatística.

Vimos a pouco as grandes nevascas na Europa. Mais mortes, mais destruição.

É a natureza vingativa ou apenas a natureza em seu ciclo natural? Ou somos nós que nos imaginamos onipotentes e queremos ter controle sobre tudo, inclusive daquilo que notadamente não temos como controlar? Imaginamos que tudo tem explicação, que toda "verdade" pode ser percebida, que nossa ciência tudo pode compreender. Será mesmo que somos seres tão capazes de tudo como pensamos? Será que um pouco de "calma e canja de galinha", como diriam os antigos, não são mais necessárias em nossas vidas? Será que durante nossa história andamos utilizando a nossa ciência para benefício do planeta, dos seres humanos e outras criaturas que o habitam, ou apenas para o interesse de "super seres humanos", que podem mais, que merecem mais, que são mais que outros?

Sei lá, são muitas questões. Minha cabeça está fritando. Literalmente!!!

Faço o mal querendo fazer o bem? Como saber?

24 janeiro 2010



É incrível como o cinema é capaz de nos trazer reflexões importantes e interessantes. Quem acompanha o blog, tem visto que tenho pensado sobre muitas coisas através dos filmes que vejo. Hoje não foi diferente. Assistimos ao filme "Uma prova de amor". Quando peguei para ver não tinha noção do que me diria. Imaginava que seria um filmezinho água com açúcar, mas não. É um filme que traz - pelo menos pra mim trouxe - uma reflexão sobre como agimos, sobre nossas intenções e as consequências de nossos atos.

Como saber se nossos atos, os quais imaginamos serem para o bem de alguém especial, na verdade podem não estar realmente fazendo o bem, ou pior, pode estar causando um mal? Como saber se na verdade não estamos apenas querendo o nosso próprio bem, mesmo que seja uma causa que num primeiro momento parece ser justa, mas que na verdade não avalia se seus atos estão de acordo com o que a outra pessoa pensa ser seu bem?

É incrível que uma atitude que aparentemente seja para realizar o bem, para ajudar o outro a viver melhor, na verdade pode gerar um mal àquela pessoa. Assim como uma atitute que aparentemente possa ser errada, na verdade é exatamentea a única atitude que pode gerar o bem desejado pelo outro.

Talvez o segredo seja exercitar a empatia, não sei bem. Assistam o filme, creio que valha a pena. Quem sabe possam me ajudar a entender essa questão.

Da série "moral da história"

22 janeiro 2010



Estou de férias, mas ao contrário de muita gente, minhas férias não se passam na beira da praia, com o corpo encharcado de sol e gosmento de tanto protetor solar. Claro que agora com a Mariana, acabo fazendo dessas coisas as vezes.

As minhas férias são sempre pra tentar ler um livro (o que esse ano ficou prejudicado pela retirada das fraldas) e para ver todos aqueles filmes que deixei de ver.

Hoje assisti ao filme: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Grande filme. Parece confuso no início, mas nada pior do que o livro Budapeste do Chico, por exemplo.

Nã pretendo contar o filme, mas apenas trazer aquilo que o filme disse pra mim. Qual mensagem me trouxe. O que mais me fez crescer (o pessoal do EJC está rindo nesse momento).

Certamente alguns dirão que esse filme fala sobre destino, sobre como as coisas estão escritas e como não podemos desviar o destino, mesmo que tentemos muito. Como muitos já sabem, não creio no destino. Prefiro acreditar no livre arbítrio e nas inúmeras possibilidades que ele nos permite. Seria muito chato já ter tudo escrito e decidido, não acham?

Pra mim a mensagem principal é que normalmente as pessoas em seus relacionamentos tem sempre a estranha mania de lembrar sempre mais facilmente das coisas ruins que aconteceram, dos defeitos do outro, dos erros, das palavras mal ditas, dos gestos mal colocados. Infelizmente, parece que as pessoas só buscam as boas lembranças, só lembram do carinho recebido, da palavra amorosa, do momento alegre, da alegria de estar junto, quando já está perdendo ou já perdeu a pessoa amada. Não são raras vezes que as lembranças das coisas ruins, tomando conta de todas as lembranças, acabam por abafar o amor, destruir os momentos felizes e destroçar a relação de afeto.

No final, ainda ensina que o perdão é tão lindo quanto o amor, simplesmente pelo fato de que o perdão também é uma forma de amar.

O filme hoje me diz para prestar mais atenção no que digo, perstar atenção nos bons momentos, perdoar, viver os momentos felizes intensamente e não dar tanto valor assim para os deslizes, os equívocos, pelo menos não dar mais valor do que para os momentos de puro amor.

A complexidade das coisas simples

20 janeiro 2010


Uma vez conheci um maluco. Era físico, acho. Não lembro bem. Tinha idéias que me pareciam loucura, afinal eu não as compreendia. Sabem como é, normalmente quando não compreendemos o que as pessoas dizem, a tendência é imaginarmos que se tratam de loucuras, divagações absurdas.

Pois bem, esse cara dizia que tudo que é simples na verdade é complexo. O exemplo clássico era a fechadura, o abrir a porta. Ele perguntava: "não é simples abrir a porta?". Então dizia: "porém, o processo do desenvolvimento da fechadura é muito complexo". Ou seja - dizia ele - o simples fato de abrir uma porta, comporta um nível de complexidade que não é perceptível na ação de abrir a porta, mas, se refletirmos sobre o processo que levou até o ato de abrir a porta, veremos que de fato ele é complexo.

Loucura? pode ser. Um blá, blá, blá que não leva a lugar nenhum? Cheguei a pensar assim.

Hoje estou no processo de retirada das fraldas da Mariana, como já disse em outro post. Pois bem, nesses dias tenho pensado muito naquele cara. Ele tinha razão! Vejam: vocês não acham tão simples ter vontade de fazer xixi ou cocô, dirigir-se até o banheiro e simplesmente fazê-los? Se responderam sim, é porque nunca refletiram sobre o processo que nos leva até lá.

Uma criança que usa a sua fralda, desde de seu nascimento, de repente percebe que a fralda não está lá por acaso, percebe que ela "faz uma aguinha", como disse a Mariana surpreendida quando fez xixi pela primeira vez no penico. Então, ela precisa compreender como prever a vontade de fazer xixi, precisa compreender que deve deixar o brinquedo de lado por um instante para ir ao banheiro e que não pode mais "resolver" a coisa ali mesmo como fazia antes.

Posso garantir pra vocês que o simples processo de ir ao banheiro realmente é muito, muito complexo.

"A felicidade só é verdadeira quando compartilhada"

14 janeiro 2010



A frase do título, assim como a foto acima são de autoria de Christopher McCandless, jovem de apenas 22 anos, brilhante nos estudos, porém com grandes dificuldades de relacionamento com seus pais. A história desse jovem está brilhantemente retratada por Sean Penn no filme "Na Natureza Selvagem". Filme que desde já recomendo a todos.

Me perdoem se já contei logo o fim, mas é inevitável ao falar dessa experiência ter que dizer a frase que resume a grande descoberta da vida desse jovem. Desiludido com os seres humanos, principalmente com seus pais, negando a ânsia materialista contemporânea, McCadless resolveu se apartar do mundo e viver sozinho - na natureza selvagem - mais especificamente no Alaska. Deu tudo que tinha, deixou seu carro a beira da estrada, queimou o dinheiro que tinha no bolso para se sentir livre.

O que não pôde controlar, foi que em sua jornada até chegar ao Alaska, se deparou com algumas figuras humanas que modificaram substancialmente a sua vida, asssim como ele também foi decisivo na vida de cada um que cruzou seu caminho.

Ele conseguiu chegar ao Alaska, viveu em seu "ônibus mágico" durante meses, solitário, com seus livros e seus pensamentos, apenas. Em um dado momento, entendeu que na verdade de nada adianta essa liberdade que havia conquistado se não pudesse compartilhar com seus semelhantes. Ou seja (essa é uma conclusão minha e não do filme), só é possível ser verdadeiramente livre quando se ama um outro ser humano. Não é possível ser feliz, se essa felicidade não é vivida na companhia de outras pessoas. O ser humano tem vocação para o amor, tem vocação para o relacionamento humano, tem vocação para a partilha.

O que acham? Vejam o filme e tirem suas próprias conclusões.

"Tu usa cueca pai? Eu uso calcinha!"

13 janeiro 2010




Desde ontem nós e a Mariana estamos vivendo um novo momento de nossas vidas. A Mariana agora está deixando de usar fraldas. Isso mesmo, já está ficando "uma mocinha". hehehe

Os primeiros movimentos são difíceis. Há uma certa euforia da parte dela em usar calcinhas. A cada cinco minutos ela me pergunta: "tu usa cueca, pai? Eu uso calcinha!". Assim pergunta para cada um. Se vê que é "menina", diz logo que usa calcinha, mas se é "menino", me olha e diz: "fulano usa cueca, pai. Igual tu".

Tenho passado esses primeiros dias de férias mais tempo no banheiro do que fazendo outra coisa. Fico lá sentado num banco baixinho do lado dela, contando histórias (já inventei tantas que dava pra tentar um livro), falando dos adesivos que vamos colar no penico cada vez que ela fizer xixi ou cocô nele, blá, blá, blá.

A coisa não é fácil não. Até a pobre da criança entender bem como sai o xixi, se dar conta que tá na hora e tal. Claro, antes quando fazia na fralda ela não tinha lá muita consciencia de como ele era. A primeira vez que fez xixi no penico, disse pra Clarissa: "mãe, eu fiz uma aguinha".

Pior é que tudo muda mesmo. A própria Mariana não tem mais aquele ar de bebê, já é uma menininha mesmo. A independência das fraldas trouzeram "outras independências". Desde ontem a tarde que ela já não quer mais dormir no meu colo, ou comigo na minha cama, para que eu a coloque na cama dela depois. Ela diz: "quero dormir sozinha na minha cama".

É, o meu bebezinho está crescendo!!!