Verbo Clarissar

12 junho 2012


Já se vão quase 19 anos conjugando o mesmo verbo. Na verdade, clarisso todos os dias, sem exceção. E pensar que no século passado, no milênio passado, eu já clarissava no Pretérito Imperfeito do Indicativo. E de fato era um pretérito imperfeito, já que somos humanos e falhamos muito. No início, brigávamos muito, por bobagem. Coisa da juventude, do descobrimento do outro, da construção do amor.

O tempo passou mais um pouco e, então, desde o Pretérito Perfeito Composto, já que éramos um par, tenho clarissado se parar!

É, a vida já não era mais a mesma. Quando me dei conta, eu já clarissara em um Pretérito Mais-que-perfeito assim que acordava.

Pois bem, o tempo passou, veio o casamento e hoje, no Presente, eu clarisso todo o tempo.

Veio a Mariana, quem sabe outros filhos. Então eu certamente clarissarei e clarissarei em um Futuro do Presente Simples, mas cheio de verdade. E tenho certeza que quando eles clarissarem no Futuro do Subjuntivo, ficarei tão feliz, mas tão feliz, que nunca mais irei parar. E, eternamente, no Infinitivo Pessoal, vou clarissar, clarissar, clarissar.

Clarissa, espero sinceramente conjugar o verbo clarissar, combinado com o verbo amar, juntamente contigo, até o fim dos meus dias. Quero contingo viver esse amor na nossa familia mais amada e feliz do mundo!

Te amo pra sempre!


HOMENAGEM À CLARISSA DE BARROS LOPES, MINHA AMADA, NESSE DIA DOS NAMORADOS!

Verbo Mãe

11 maio 2012


   Me perdoem os gramáticos, mas a palavra mãe não é um substantivo. A palavra mãe é verbo. A palavra mãe expressa um fato: o amor incondicional por seus filhos. A palavra mãe é o elemento principal da "oração" do filho.

   O verbo mãe, na maioria das vezes se confunde com o verbo amar. Ser mãe é, fundamentalmente, a expressão mais verdadeira do sinificado mais humano e mais divinido do amor. Deus confiou às mães a função de amar como Ele nos ama. E elas fazem isso maravilhosamente bem.

   Esses dias estava revendo um vídeo que fiz na época da minha formatura. Lá escrevi algumas coisas sobre a minha mãe que gostaria de relembrar:

   "Minha mãe não pôde estar aqui nesse dia para me abraçar e para receber o abraço de vocês, o que faria com muito orgulho, tenho certeza, mas ainda assim quero agradecer muito à minha Santa Mãe. Aliás, todas as mães são para seus filhos como Santas, ou pelo menos deveriam ser. Na verdade são mais que santas, pois se os santos são aqueles que intercedem a Deus para que este produza um milagre, as mães são mais do que isto, já que elas participam do milagre e são co-autoras dele junto com Deus. As mães emprestam o seu sim a Deus para juntos produzirem o milagre da vida.

   Minha mãe é pra mim referência de amor, de doação. Nela eu consegui compreender o que significa a expressão “ama ao próximo como a ti mesmo”. Minha mãe na verdade amou muito mais o próximo do que a ela mesma e tenho certeza que nunca se arrependeu por isso. Amar o outro é a chave de tudo, pois se todos amássemos o outro indistintamente, já imaginaste quantas pessoas te amariam? Pois é, esse é o maior e mais precioso ensinamento da minha mãe pra mim e é com essa certeza que quero usar o que aprendi na universidade. Mãe, obrigado pelo teu sim. Obrigado por me ensinar o amor e o perdão."

   Na verdade, hoje resolvi reler algumas coisas que já escrevi há mais tempo e que creio ainda serem válidas pra mim. Quero dizer isso novamente:

   "Só as mães são capazes de amar a imperfeição e os defeitos de seus filhos sem qualquer tipo de reserva. Têm duvida disso? Experimentem ir até o presídio em horário de visitas e verão as mães dos presos por lá, afagando-lhes os cabelos, abraçando-lhes com carinho. Quando alguém está condenado pelo mundo, desprezado pela humanidade são as mães que estão por lá para oferecer um olhar, um carinho.

   O filho chega até sua mãe sem riqueza, sem sucessos, sem títulos. As mães amam seus filhos pelo que são e não pelo que têm. Esse é o grande legado das mães para a humanidade."

   "Se você não é mãe, mas é filho, vá até sua mãe, abrace ela bem forte, diga o amor que tens por ela, fale sobre seus sentimentos com ela, ame a sua mãe e deixe-se amar por ela. Se sua mãe não está mais por perto, como no meu caso, lembre-se dela com carinho, divirta-se com as histórias que ela contava, a saudade é a melhor forma de manter-mos alguém vivo dentro de nós.

   Se você é mãe, abrace seu filho, ponha ele em seu colo como fazia na infância, beije o rosto, afague seus cabelos, cante uma música de ninar, fale pra ele do seu amor.

   Essa é a cura para todos os males da humanidade. Sejamos todos nós ministros desse amor."

   Essa homenagem é para a minha mãe, de quem sempre me lembro com alegria e carinho, mas também é para minha esposa Clarissa, que a cada dia demonstra ser a melhor das mães para a nossa filha e me faz perceber que fomos capazes de construir uma família cheia de amor.

   Beijo mãe. Beijo Clarissa.

Direitos, deveres e religião

24 abril 2012


Ontem estava assistindo uns vídeos do programa Direção Espiritual do Padre Fábio de Melo (recomendo pra quem tiver tempo e interesse), em que ele falava sobre essa questão colocada no título do blog. Fiquei com vontade de escrever algo sobre isso também.

Esse é um debate que é recorrente entre os católicos e, ultimamente, um debate que tenho travado (por vezes com maior profundidade e consequência) com não católicos. O que me interessou na visão do padre foi me fazer entender que é possível compreender esse fenômeno a partir do que aprendemos desde que somos crianças.

Vejamos. Em primeiro lugar vamos situar o assunto. Estou falando sobre as pessoas que colocam os sacramentos, por exemplo, como uma obrigação. Sou obrigado a ir na missa todo domingo, sou obrigado a me confessar, sou obrigado a um monte de coisa.

Porém, a igreja católica, diferentemente do que aprendemos em nossa vida, nos dá primeiro direitos e os deveres são decorrência deles, ao contrário do que aprendemos desde criança. Explico. Quando somos criança, nossos pais sempre nos falam: "só vai comer sorvete se comer toda a comida do prato"; "só pode brincar depois de fazer o tema"; etc.

Na religião católica isso é invertido. Eu tenho o direito de participar da eucaristia, não sou obrigado, sou convidado por Jesus para partilhar de sua mesa. Jesus, na iminência da cruz, convida seus amigos para partilhar da mesa e ali institui a eucaristia. Hoje, ele continua nos convidando para participar desse mesa de amigos. Portanto, temos o direito da eucaristia e não o dever de participar da missa todo o domingo. O dever não é esse. O dever surge do direito. Tenho o direito de participar da eucaristia e, quando a recebo, surge um dever de propagar esse bem, de partilhar essa graça com meus irmãos. Assim é com a confissão, com o batismo, com o matrimônio. São direitos e não deveres.

Os direitos são fruto do amor de Deus por cada um de nós e os deveres são fruto desse mesmo amor, que nos impulsiona a partilhar desse bem com nossos irmãos.

O grande momento do cristianismo

04 abril 2012


Amigos, esse texto eu escrevi em 2010. Ele é longo, eu sei, mas são poucas palavras comparando à importância desse momento para a humanidade. Quem tiver paciência leia, quem tiver vontade comente, mas que todos nessa páscoa sejam capazes de se fazer semente, como fez Jesus, que precisa morrer para dar lugar a uma vida nova, Ele, que foi "plantado" naquele sepulcro, floresceu para a vida eterna e está nesse momento pronto para habitar o coração de cada um que aceitar recebe-lo. Seja hoje sepulcro também, para receber a semente do amor de Deus e deixa-la morrer e florescer a vida eterna no teu coração.

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Por esses dias em Jerusalém, Jesus reuniu seus amigos para a refeição. Sentaram para partilhar o pão, partilhar as palavras que soavam em seu coração. Antes de qualquer coisa, Ele, em silêncio, levantou-se, tomou uma bacia com água e uma toalha e um a um foi lavando-lhes os pés. Ensinou aos seus amigos sobre a humildade, ensinou-lhes que devemos cuidar dos nossos amigos, inclusive servindo-os.

Começaram a conversar, porém, era Jesus que falava mais, pois todos estavam admirados com suas palavras. Nem todas as palavras eram alegres. Houve um momento em que Jesus anunciou que alguém o trairia, dizendo para que ele os deixasse e que fizesse logo o que precisava fazer.

Todos levaram um susto, não entendiam bem o que Ele falava. Parecia ser uma despedida, mas afinal para onde Ele iria? Por que não podiam segui-lo? Estavam dispostos a dar a sua vida por Ele! Jesus então pediu que não se perturbassem. Disse-lhes que cressem em Deus e também Nele, pois Ele ia ao Pai, mas lá prepararia um lugar para todos os que o amassem e que voltaria para que fossem para a nova morada junto Dele. Ensinou-lhes que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ensinou-lhes que o caminho do Pai deveria ser percorrido através Dele, pois quem o conhecia também conhecia o Pai. Ensinou-lhes sobre a eternidade. Prometeu-lhes que não ficariam sozinhos, pois os enviaria o Espírito Santo, mas avisou-lhes que o caminho não seria fácil, já que o mundo provavelmente já os odiava, assim como odiava a Ele.

Em seguida, ensinou-lhes o seu grande mandamento: "amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos".

Jesus lhes falava que em pouco tempo não o veriam mais, mas também em pouco tempo já o veriam novamente. Eles não entendiam muito bem algumas coisas que Ele dizia, mas aos poucos Jesus ia sendo mais claro e não os ensinava mais por comparações ou parábolas, mas lhes dizia as coisas abertamente para que quando acontecessem eles acreditassem.

Depois de dizer a seus amigos tantas outras coisas, levantou seus olhos aos céus e orou ao Pai. Pediu por si e rogou por seus amigos.

Após a refeição, Jesus foi com seus amigos para um jardim. Em pouco tempo chegaram os guardas com lanternas e tochas. Jesus não esperou que perguntassem e, como se já soubesse o que aconteceria, indagou a quem procuravam. Quando disseram que procuravam Jesus de Nazaré, respondeu que era ele a quem procuravam e que deixassem os outros irem embora. Conteve Pedro com sua espada e deixou que o levassem preso.

Levaram Jesus a Anás, Caifás e a Pilatos. Todos o interrogaram. Pilatos então, ao não encontrar crime algum em Jesus, mas, como era de costume na Páscoa, perguntou se os judeus queriam que o soltasse. Porém, todos gritaram que preferiam que Barrabás fosse solto. Pilatos então mandou flagelar Jesus.

Foi então que Jesus sofreu na carne. Jesus foi castigado como talvez nenhum homem seria capaz de suportar. Jesus suportou em sua carne por cada um de nós. Ele recebia ali todo o sofrimento da humanidade, pois Ele escolheu suporta-lo por nós.

Jesus carregou a sua própria cruz para fora da cidade em direção ao calvário. Lá foi crucificado, junto com outros dois. Aos pés da cruz estava a sua mãe. Jesus tinha sede. Os soldados lhe deram vinagre em uma esponja.

Nesse momento, Jesus disse: "tudo está consumado". Jesus inclinou a sua cabeça e rendeu seu espírito.

José de Arimatéia, pedindo autorização a Pilatos, tirou Jesus da cruz e envolveu-o em panos com os aromas de uma mistura de mirra e aloés, como os judeus costumavam sepultar. Depositaram o seu corpo em um sepulcro novo em um jardim que havia por ali.

No domingo, Maria Madalena foi ao sepulcro, viu a pedra que o fechava removida. Foi logo dizer a Pedro que haviam tirado Jesus de lá. Pedro e outro de seus amigos correram para o sepulcro. Ao chegar lá viram os panos no chão. Viram também o sudário que estava sobre a cabeça de Jesus. Não estava com os panos, mas enrolado em um canto. Eles ainda não haviam entendido bem que se tratava da ressurreição de Jesus e voltaram para suas casas. Maria continuava por ali, chorando fora do túmulo. Então ela resolveu entrar e enxergou dois anjos que perguntaram por que ela chorava. Disse-lhes que era porque tinham levado Jesus. Então, ela viu Jesus de pé, mas não o reconheceu, imaginando que talvez fosse o jardineiro. Inclusive implorou a ele que dissesse pra onde tinham levado Jesus para que fosse busca-lo. Jesus falou com ela e ela o reconheceu. Então Jesus mandou que ela fosse contar aos seus amigos.

Os amigos de Jesus tinham muito medo dos judeus, e por isso estavam todos trancados em uma casa. Jesus então veio até eles dizendo: "A paz esteja convosco". Seus amigos se alegraram ao vê-lo. Então Jesus disse: "Como o pai me enviou, assim também eu vos envio a vós". Depois, soprou sobre eles dizendo: "recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

Essa história aconteceu realmente a mais de dois mil anos. Talvez não exatamente como descrevi, mas o que importa é que nessa Páscoa, reconheçamos que Jesus morreu na cruz por nós, para nos salvar, para redimir os nossos pecados. Morreu na cruz por amor a cada um de nós especialmente. Jesus se entregou na cruz por amor. Mas não foi só isso. Não acabou por aí. Jesus venceu a morte. Jesus ressuscitou e está ao nosso lado, vivo, preparando a nossa morada para a vida eterna. Esse é o grande momento da humanidade, pois Jesus se fez homem como nós, viveu ao nosso lado, sentiu como homem, sofreu como homem. Jesus quis estar conosco e se fazer homem como nós e viver ao nosso lado para mostrar a nós quão grande é o seu amor por cada um. Ele foi capaz de entregar sua vida por mim, por ti e por todos. Jesus venceu a morte.

"O ressuscitado vive entre nós, amém, aleluia!"

Saúde, diversão, amizades, exemplo

29 março 2012


Os meus amigos mais chegados já sabem que comecei uma pequena revolução na minha vida: decidi cuidar um pouco mais da minha saúde. Para isso, comecei a caminhar (em um primeiro momento) e agora estou correndo. Corro cedo da manhã pelas ruas da Vila Nova em Porto Alegre.

O interessante é que hoje, algumas semanas após eu começar a fazer isso com regularidade, descobri novos ganhos dessa minha postura. Além da saúde, algo que já verifico melhora no meu dia-a-dia, ganhei uma atividade que me diverte e ainda é capaz de gerar novas amizades, além de aproximar ainda mais as amizades já existentes.

Descobri uma atividade que me traz ganhos diferenciados. Pensem comigo: ganhei em torno de 40 minutos do meu dia para ouvir boa música, respirar ar mais puro, conhecer novos lugares da minha cidade, pensar sobre a vida, sobre a minha vida. A corrida tem sido capaz de informar o meu cérebro sobre a minha capacidade de encarar limites, de planejar e executar novos desafios, minha capacidade de automotivação, foco, etc.

Os ganhos são também extermos. Tenho conhecido pessoas novas e pessoas que já conhecia, mas que descobri um novo vínculo. Pessoas que também tem buscado melhorar sua saúde correndo. Essa interação faz com que sejamos capazes de um tipo de motivação coletiva, que faz com que todos acompanhem todos e, assim, se motivem mutuamente. Nas competições, o que menos há é competição, mas uma grande confraternização, em que a saúde, o bem-estar físico e psíquico, a alegria de praticar um esporte e a troca de experiências é o centro de tudo.

Além disso tudo, tenho certeza que esse meu novo comportamento terá, um dia, impacto sobre as ações da minha filha e do modo que ela irá encarar o esporte e a sua saúde. Só isso pra mim já é uma enorme motivação para continuar em frente.

Inclusive já criamos uma equipe de corrida que se chama "Run Forrest Run", em que qualquer semelhança com a personagem cinematrográfica não é mera casualidade, mas isso é um assunto para outro post, assim que o http://www.runforrestrun.com.br/ esteja a pleno vapor.

E vocês, pensam o quê disso tudo?

Amor de filho, amor divino

24 fevereiro 2012

Ontem eu estava no sofá com a Mariana assistindo um desenho qualquer. Eis que ela me olha e diz: pai, eu te amo muito mais do que tu me ama. Vejam que ela não disse isso em tom de cobrança ou decepção, mas simplesmente por querer demonstrar o quão grande é o seu amor por mim. Na hora não tive muita reação a não ser dizer que também a amava muito. Depois, enquanto trabalhava, pensava sobre aquilo. Cheguei a conclusão que realmente a Mariana tem razão. Não que o meu amor por ela seja menor, seja pequeno, mas realmente o amor infantil pelos pais talvez seja a forma de amor humano que mais se aproxima do amor divino.

Tenho pra mim que nascemos com a condição de amar plenamente, amar esse amor irrestrito, desinteressado, pleno, ou seja, um amor tão humano que se assemelha ao divino. Esse amor é manifestado mais fortemente em relação aos nossos pais quando ainda somos crianças pequenas. Porém, aos poucos, vamos agregando experiências que vão nos afastando desse jeito de amar. Aprendemos outros "amores" que nos divorciam desse amor primeiro. "Amamos" o dinheiro, os bens materiais, conhecemos a vaidade, o egoísmo, os preconceitos, etc. Tudo isso vai aos poucos nos afastando daquele amor essencial que trazemos gravado em nós por Deus desde a nossa concepção (ou antes, não sei. Deus sabe).

A boa notícia é que o amor essencial não morre. Ele é tão poderoso que os outros "amores" não são capazes de destruí-lo ou mesmo substituí-lo. Ele está latente em cada um de nós. Aguarda ansiosamente o momento de vir a tona e ser capaz de manifestar-se em sua plenitude. Como fazê-lo? Quem sabe cumprindo aquilo que diz a música? Esse trecho da música Deus me ama da Ziza eu já trancrevi várias vezes aqui no blog e não vou me cansar de citá-lo quantas vezes for necessário, já que cada vez que o transcrevo, o pronuncio e então o ouço também. Diz assim: há esperança para quem quer buscar / Amor verdadeiro é querer amar. Portanto, façamos a experiência de querer amar e deixemos que aquele amor infantil que está gravado em nós se manifeste em nossas vidas.

O diálogo em extinção

14 fevereiro 2012

Fico pensando por qual motivo as pessoas têm deixado de lado o diálogo, o debate, a discussão de ideias, a argumentação, a conversa. Tenho visto que as pessoas tem se relacionado com os outros através do "curtir" ou de míseros 140 caracteres. Isso basta? Creio que não.

Como é possível discutir ideias, argumentar, debater, compreender o que o outro diz, fazer-se compreender, dessa forma? Pra mim é impensável o relacionamento humano sem o olhar, sem o toque e sem a palavra. É na palavra que conseguimos infundir a nossa intenção. A ideia precisa das demoras do debate, do argumento, da discussão. Os relacionamentos também são assim. Como construir uma amizade sem o debate? Sem ser capaz de dizer ao outro como o vejo, o que me faz bem e o que me faz mal? Vivemos a era da amizade efêmera, uma tipo de amizade líquida, aproveitando a ideia de Bauman. Nada é feito para durar, tudo é efêmero, tudo é breve, inclusive os argumentos.

A questão é que na liquidez das amizades, realmente tudo parece mais fácil. Tenho tempo de pensar na resposta. Posso dizer qualquer coisa, pois não tenho o compromisso do olhar. Posso simplesmente deixar pra lá e não dizer mais nada, afinal, a conexão caiu. Porém, não nos enganemos, pois na liquidez do diálogo, a solidez das amizades desaparece e as amizades duradouras se acabam por vaidades bobas. Se não sou capaz de questinar meu amigo sobre suas atitudes, sobre supostas coisas que disse e que me machucaram, abraça-lo nas conquistas, chorar junto dele nas derrotas, não sou capaz de vivenciar um relacionamento realmente maduro e duradouro. O que me interessa, nesse caso, não é me relacionar com o outro, mas que o outro seja capaz de satisfazer as minhas necessidades. Se não há diálogo, não há argumento, não há confronto, não existe amizade sólida. Só existe espaço para o amor líquido, que rapidamente escore entre os dedos e se acaba.

Será que não é importante pensarmos nisso?